Se você já visitou a Feira do Livro pode ter visto um senhor com barba de Papai Noel, mas com uma pilcha feita com tecido estampado por jornais. “É época de Feira do Livro. Tem que vir vestido com as letras, não é?”, questiona Noé Melo Fernandes, prestes a completar 77 anos no próximo 26 de novembro. Desde 2008, ele frequenta a Feira com a sua inusitada vestimenta.
Seu Noé é o famoso gaúcho do Beira-Rio, que frequenta os jogos do Internacional pilchado de vermelho e branco. “Comecei a fazer isso em 1998, quando fiquei viúvo. Eu tinha a barba grande, procurava algo para me ocupar. Aí resolvi ser Papai Noel. No outro ano, apaixonado pelo Inter como sou, resolvi fazer uma bombacha vermelha”, explica o simpático senhor. “Daí para frente não parei mais”, confessa.

Natural de Santa Maria, na região central do estado, conta que iniciou muito jovem a ganhar o seu sustento. “Trabalhei desde piá. Vendia as verduras que minha mãe produzia. Vendi pão em balaio, jornal e carregava malas lá na estação de trem de Santa Maria. Já fiz de tudo um pouco nessa vida”, afirma. “Até marrecão eu fui”, lembra, referindo-se ao trabalho de devolver nas partidas de tênis as bolas que são jogadas para fora da quadra. “Vez ou outra eu podia levar uma bolinha para casa, eram os brinquedos que eu tinha”, completa.
Noé Melo Fernandes, desde 2008, frequenta a Feira com a sua inusitada vestimenta
Serviu o exército, mas seu grande sonho era ingressar na Brigada Militar. “Hoje sou reformado na Brigada. Minha diversão agora é conversar com as pessoas, trocar histórias. Sou reconhecido no estado inteiro”, fala com orgulho.

“Fui construindo a vida aos poucos. No fim das contas, tudo vale muito a pena”, relata seu Noé, que teve cinco filhos, onze netos e três bisnetos. “Já estou com a roupa para a Copa encaminhada. Dessa vez a pilcha será verde amarela”, garante.
Topo