Às 20h30min a Patrona Jane Tutikian caminhava ao lado de João Carneiro, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro. O xerife Julio La Porta com a sua implacável sineta dava mostras de que a 57ª Feira do Livro chegava ao fim. Só que, ao mesmo tempo, uma leitora ganhava a honra de receber o último autógrafo da Feira.
A última sessão de autógrafos da 57ª Feira do Livro ocorreu às 20h na sala do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega. A obra que encerrou uma das atividades mais importantes foi "Tecnologia pra quê? Os dispositivos tecnológicos e seus impactos no cotidiano", dos autores Cesar Steffen e Monica Elisa Dias Pons. A última felizarda a ter seu livro assinado, na edição de 2011, foi a artista plástica Eliane Barreto.

A leitora se declara uma verdadeira fã de títulos que tratam do tema e tem dúvidas quanto ao futuro dos livros impressos. Ela explica o significado de ter recebido o último autógrafo "É uma sensação curiosa. Não sei se vão haver livros para autografar na próxima feira. Agora só se usa e-book. Não sabemos qual será o futuro dos livros físicos", ressaltou.
César Steffen e Monica Pons no momento em que concediam o último autógrafo da 57ª Feira
Eliane contou que já havia participado de outras duas sessões de autógrafos e é uma frequentadora assídua da feira. "Sou fissurada em tecnologia, cada editoração nova que aparece nessa área, procuro comprar", afirmou.  Para ela, a mostra desse ano não teve o mesmo movimento de outros tempos. "Achei mais tímida. Acho que o impacto das publicações digitais está interferindo". A artista plástica também considera que o fato de a feira ter acontecido entre dois feriados gerou uma menor circulação de público.

O autor César Steffen contou que essa publicação contou com a participação de diversos pesquisadores do campo da comunicação social. “Estão planejadas pelo menos mais duas edições, uma com foco no impacto das tecnologias nos fazeres da comunicação, e outra em cenários de futuro. A previsão de publicação é para 2012 e 2013, respectivamente”, afirmou César. O autor, que já havia lançado a obra “Midiocracia”, no último sábado, dia 12 de novembro, acredita que a feira é uma excelente oportunidade para os escritores. “É muito importante para se obter contato com o público e com os demais autores. Trocar experiências, expectativas e fazer contatos”, salientou.

Depois de 19 dias, a Feira pode ser considerada um sucesso. Até a última parcial, divulgada no dia 11 de novembro, foram comercializados 308.026 obras, 3% a mais que igual período de 2010. Agora, só resta esperar pela edição de 2012.
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