O XXIV Fórum da Liberdade foi encerrado na noite de terça-feira, dia 12 de abril, com a presença de dois humoristas. Marcelo Tas, atualmente apresentador do CQC, e Marcelo Madureira, comediante do Casseta & Planeta.

O tema da palestra “Uma nova democracia digital”  resultou em uma apresentação descontraída e com toques de humor ácido, no estilo de seus trabalhos na televisão e na internet. O apresentador do CQC recordou seu passado na televisão. “A TV gazeta foi o nosso Youtube”, afirmou Tas. “Eu era o Danilo Gentili da época”, completou.

Tas fez uso de imagens para tratar das novas formas de comunicação. Madureira aproveitou a deixa para fazer uma brincadeira. “Você fez até apresentação, eu trouxe só uma folha de papel”, disse o humorista.

Em seguida, enfatizou o fato de as pessoas estarem sempre conectadas. “O mundo não é mais o mesmo, cabe aos empreendedores aceitarem isso”, afirmou. Ele mostrou exemplos de empresas que não entendiam como a interação pela internet poderia ajudar seus negócios.

Citou um caso envolvendo a concessionária Renault, em que uma consumidora fez um vídeo reclamando de falhas em seu carro. Após ser postado no Youtube ganhou repercussão e gerou um site www.meucarrofalha.com.br. O resultado foi o estabelecimento de um acordo, em que a Renault ressarciu a compradora. “O legal foi que a empresa reconheceu que errou e reconheceu que demorou para reconhecer o erro”, comentou.

 

Marcelo Tas e Marcelo Madureira no Fórum da Liberdade

Tas falou sobre o caso do restaurante Spoleto. Contou que o dono da franquia o procurou após uma palestra. Ele queria pedir aos seus advogados que tomassem providências contra a comunidade “Eu odeio o Spoleto”, no Orkut. Porém, ao conversar com o apresentador do CQC, mudou de ideia. “Ele se deu conta que tinha consultores”, referiu.

Marcelo Madureira, iniciou sua palestra, admirado com tantas pessoas dispostas a assisti-lo falando bobagens. Deixou claro em sua fala a respeito da era digital o quanto mantém o “pé atrás” diante das redes de relacionamento. “Sou um cara cuidadoso com as ideias, pois vivo disso”, referiu.

A respeito da realidade brasileira disse que o governo gosta de tratar o cidadão como um débil mental. Para ele “um Estado que adora tutelar é uma sociedade que adora ser tutelada”, criticou.

Um ponto importante, ressaltado por Madureira, é a falta de privacidade que existe na rede. Embora a liberdade deva ser exercida e defendida, o anonimato induz a coragem de fazer ameaças. “Na internet há uma enorme agressão ao contraditório”. Salientou, ainda, que “o desejo de compartilhar tudo ao mesmo tempo com todo mundo esconde uma solidão”.

No debate final, ambos foram contundentes em suas opiniões. Tas fez críticas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), falou que não acredita em crescimento acelerado, mas sim em esforço e trabalho. Madureira criticou o Poder Judiciário Brasileiro. Comentou que da forma como está organizado “não teremos democracia de verdade”.

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