O XXV Fórum da Liberdade ocorreu nos dias 16 e 17 de abril, no Prédio 41 da PUCRS. O evento é anual e consiste em discutir temas atuais da sociedade. O título do assunto abordado nessa edição é “2037: que Brasil será o seu?”. Os debates foram divididos em sete painéis com especialistas de diferentes áreas de atuação. O quarto painel apresentou as “Missões do Mundo para o Brasil”. O mediador foi o Presidente do instituto Mises Brasil, Hélio Beltrão e os palestrantes foram o jornalista peruano Álvaro Vargas Llosa e o diretor-geral do Instituto Bruno Leoni, o italiano Alberto Mingardi.

O primeiro a discursar foi Llosa, que destacou a situação político-econômica do Brasil. O palestrante começou ressaltando o potencial brasileiro no mercado internacional. “O Brasil é um dos países mais importantes do mundo. O mercado interno passa por transformações importantes. Mais de 40 milhões de pessoas foram incorporadas na classe média”, afirmou Álvaro.

Por outro lado, ele acredita que o crescimento econômico incentivou um consumo do governo exagerado. “Durante muitos anos, o Brasil possuía um déficit de 4% do PIB. O estado impulsionava muitas causas e investimentos, gerando gastos descomunais”, disse. Além disso, atitudes protecionistas em relação à indústria são outros motivos de preocupação para o escritor peruano. ”Há leis para que empresas comprem apenas produtos brasileiros. É impossível que o mercado funcione bem assim. Os impostos são muito altos. Um empresário me disse que existem 61 impostos diferentes”, salientou.

Segundo Vargas, o Brasil possui pouca participação nas descobertas tecnológicas. “60% das inovações nascem no governo e não nas empresas privadas. Isso se deve ao sistema intervencionista e protecionista do estado brasileiro”, concluiu.

Apesar dessa postura, o jornalista consegue vê o Brasil com superioridade em comparação a outros países emergentes. “O Brasil está muito mais livre politicamente que a China. Não tenho dúvidas de que pode dar um grande salto e se tornar um país de primeiro mundo, nos próximos 25 anos”, opinou.

Vargas Llosa e Alberto Mingardi durante painel no Fórum da Liberdade

O segundo painelista tratou de questões ligadas à Europa e a crise sofrida nos últimos anos. Alberto Mingardi detectou alguns problemas antigos da União Europeia, que causam perigo para a economia do planeta. Um deles diz respeito à moeda do continente. “As coisas foram piorando com a introdução do Euro. Nos seus primeiros anos de vida, ele foi muito bem sucedido. Mas ele nasceu com falhas. Nunca houve regras claras para se punir a nação que abandonasse o Euro. As elites europeias nunca consideraram a moeda como uma união pura para a comunidade”, relatou.

Más administrações e excessos de gastos públicos são alguns dos componentes que provocaram a crise, na visão de Mingardi. “Todos os países começaram a gastar e só se deram conta na época da crise. Uma profissão bem rentável na Europa seria a de contadores, para mensurar o quanto os governos estão colocando fora”, ironizou. As dívidas internacionais vão aumentando, de acordo com os gastos de cada país. “Ninguém cita a fonte da crise, que são os investimentos excessivos somados à dívida pública”, argumentou.

Essa crise tem natureza política e de acordo com Alberto, o Estado do Bem Estar Social tem acarretado um grande déficit. “As classes dominantes estão ignorando o fato de que a lei da gravidade existe. Não se pode continuar gastando sem gerar receitas. Não há nada de graça, isso vale para a política do bem estar social”, afirmou.

Encerradas as palestras, os painelistas responderam a questões lidas pelo mediador Hélio Brandão. Em uma das perguntas, Álvaro Vargas Llosa não escondeu sua contrariedade às práticas de nacionalização argentinas. “Nós, liberais clássicos, temos uma grande luta. Temos que lutar para que a Argentina não espalhe seu exemplo”, afirmou. Para terminar, o mesmo palestrante manifestou sua preocupação com a situação política da Venezuela. “Toda vez que vou à Venezuela, digo que não queria que esse país tivesse tanto petróleo. Isso é uma maldição para aquela nação. Claro, que com um bom sistema esses recursos seriam muito melhor aproveitados”, comentou.

 Os painéis que completaram o dia de encerramento da XXV edição do Fórum da Liberdade foram: “Corrupção e Desafios da Democracia Brasileira”; “Educação: Obedecer, Pensar ou criar?” e “Drogas, Violência e Liberdade”. 

Confira a reportagem do Portal de Jornalismo

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