Durante o painel sobre Corrupção e os desafios da democracia brasileira, no XXV Fórum da Liberdade, o fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas, Francisco Gil Castello Branco e o presidente do Conselho Superior de Direito da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Ives Gandra Martins, debateram sobre a desmoralização da política brasileira. O evento ocorreu na tarde do dia 17 de abril, no centro de eventos da PUCRS.

Castello Branco abriu o debate apresentando slides sobre a realidade do Brasil, há 25 anos, em 1987. Naquele ano, o SIAFI, a Conta Única e a Secretaria de Tesouro Nacional foram criados. Além disso, o índice da inflação era de, aproximadamente, 356% - um recorde.  Já no ano de 1988, foi instaurada a CPI da Corrupção, e seis meses depois, o presidente Sarney e mais 28 pessoas foram denunciadas.Por fim, Dilma Rousseff, era Secretária Municipal da Fazenda, em Porto Alegre.  Ele citou esses exemplos para mostrar que é difícil evidenciar os próximos 25 anos. 

 Gil acredita que a união da transparência, do acesso a informação e o controle social conseguem combater a corrupção. Ele também apresentou dados sobre os índices de percepção da  corrupção de 2011 no mundo, onde o Brasil se encontra na 73ª posição, com a nota de 3,8 – aonde o número mais próximo de 10 é o país menos corrupto, e o mais próximo de 0, o mais corrupto. Gil deseja que o Brasil, nos próximos 10 anos, esteja ao redor da nota 7, amenizando a corrupção.

Francisco ressalta a importância da aceleração para a votação dos projetos relacionados ao combate à corrupção.  Ele exemplifica os resultados das leis anticorrupção com o Projeto Ficha Limpa – com grande peso atuante das redes sociais, e a recente denúncia dos 14º e 15º salários nas câmaras distritais no Distrito Federal.

Castello Branco acabou a sua participação no Fórum fazendo uma afirmação e exibindo um vídeo, onde a cantora Ana Carolina recita a poesia “Só de Sacanagem”, de Elisa Lucinda. “A sociedade brasileira pode muito mais do que ela imagina”, afirmou Gil. E em relação ao futuro do Brasil, citou uma frase de Peter Drucker: “A melhor forma de prever o futuro, é cria-lo”.

 

Palestrantes durante debate no XXV Fórum da Liberdade/Foto: Matheus Velazques

O próximo palestrante, Ives Gandra Martins, já começou a sua participação no fórum com uma frase de impacto. “Não há poder sem corrupção”, afirmou Gandra.  Ele enfatizou o poder do povo, atualmente, nas ações anticorrupção, onde eles têm consciência dos acontecimentos, e estão cobrando resultados diante desses fatos.  “A grande conquista dos povos é o combate a corrupção”, salientou Martins. Ives afirma que a democracia americana é forte porque o povo comanda tudo.

Gandra defende a ideia de que os índices de aceitação do governo Dilma superam todos os dos outros presidentes brasileiros, pelo simples combate a corrupção. Entretanto, ele salienta que o primeiro ano da presidenta Dilma no poder foi fraco, com baixos indicadores de crescimentos econômicos. O Brasil é, atualmente, o país com menor crescimento na América.  “É possível prever no Brasil o crescimento, independente dos governos”, salientou Ives.

Ives crê numa união da imprensa, a valorização dos tribunais de conta e as leis de responsabilidade fiscal para o combate da corrupção, e também considera os escândalos um fator positivo. “O momento é bom, pois conhecemos a realidade”, disse Gandra. Ele considera a educação como um começo ao combate da corrupção, e acredita no poder das redes sociais contra esses atos desmoralizados.

Sobre o futuro do Brasil, Gandra é enfático. “A melhor forma de se evitar a fatalidade, é conhecer os fatos”, alertou Gandra.

 
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