O XXV Fórum da Liberdade apresentou o painel “Educação, Obedecer, Pensar ou Criar?” com a mediação do publicitário Thiago Mattos. Os debatedores foram a secretária municipal de educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin e o Diretor de Etnias e Empreendedorismo da Rockford College, Stephen Hicks. A discussão tinha como objetivo retratar os problemas do sistema educacional brasileiro e apontar as possíveis soluções.

Cláudia Costin foi a primeira a discursar e começou a sua palestra expondo sua visão referente a atual situação da educação pública no país. “Acho que tudo tem conserto e nós conseguimos avançar bem na educação. Hoje já estão 97% das crianças na escola”, comentou. Porém, o aumento da escolaridade diminuiu a qualidade do ensino. “A escola pública da minha geração era destinada aos filhos dos letrados. Agora não é mais assim”, avaliou.

A Secretária Municipal do Rio entende que o sistema de educação tem avançado em alguns quesitos. “Atualmente temos um piso salarial para o professor, antes era um salário simbólico. Voltamos a ter 9 anos de alfabetização. Além disso, as crianças não ficam mais 3 horas na escola e sim, 4”, ressaltou.

Cláudia salientou que não há como comparar o ensino público com o privado e afirmou que existe uma seleção no ensino privado. “As escolas particulares arranjam maneira de não absorver crianças com deficiência”, destacou. Contudo, o desempenho de alunos das escolas particulares ainda fica devendo em relação a outras nações. “As elites brasileiras tiraram último lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Os estudantes das escolas privadas ainda leem pouco”, afirmou.

Algumas estatísticas de aprendizado ainda preocupam os governantes do Rio de Janeiro. “Apenas 33,2% de alunos do 5º ano aprenderam o que deveriam em matemática. Isso explica o baixo número de engenheiros e tecnólogos. Temos pouca gente preparada”, descreveu Cláudia. Esses números são de 2009, data da pesquisa mais recente.

Painel sobre educação no XXV Fórum da Liberdade/Foto: Marthin Manzur

A Secretária de Educação fluminense desde 2009 mostrou alguns dos objetivos e realizações de sua gestão. “Precisamos ter um currículo claro. Os pais devem saber o que cada criança aprende. Acabamos com a aprovação automática”, destacou. Outra ação é implantar escolas em locais violentos. “Enfatizamos matemática e ciências. Os salários dos professores serão maiores nas áreas de tráfico. São as chamadas escolas do amanhã”, afirmou.

Em seguida, o diretor executivo do Centro de Etnias e Empreendedorismo da Rockford College, Stephen Hicks, comentou sobre a educação americana no XXV Fórum da Liberdade. Hicks argumenta que a cultura americana é muito parecida com a brasileira. O que difere são as atividades realizadas depois da escola.

Os estudantes americanos tem a disposição, no período da tarde, várias atividades extracurriculares, como clubes de xadrez, aulas de música e o esporte. Hicks salienta que este último tem uma função muito importante na construção da personalidade da criança para o futuro, pois elas aprendem a lidar com vitórias, derrotas, sucessos e o mais importante de todos: aprendem a ter disciplina.

O diretor executivo enfatiza a importância do empreendedorismo e da inovação na vida das pessoas. “As pessoas têm que fazer as coisas do seu jeito, e alcançarem as suas metas”, destacou Hicks.  A criatividade das crianças também deve ser muito explorada, aliada à liberdade. Ele destaca a curiosidade das crianças como  ponto de partida. Os pais e os professores devem ser parceiros no crescimento das crianças, entretanto,  os estudantes devem ter autonomia. “Durante a escola, temos os professores e os livros com a resposta no final dos livros para nos apoiar, mas na vida não é assim. Na vida nós andamos sozinhos”, disse Hicks.

Hicks cita como exemplo de educação, a primeira médica italiana, Maria Montessori, que dedicou uma parte de sua carreira à observação comportamental das crianças, e fundou uma escola, com o método Montessori de ensino.  Este método consistia na compreensão das coisas a partir delas mesmas, tendo como função o estímulo e o desenvolvimento, da criança, respeitando o seu tempo e as suas necessidades. Os fundadores do Google, Wikipedia e da Amazon foram influenciados por este sistema de ensino.

“As crianças devem ter uma estrutura positiva em casa, e os pais devem se integrar  nas atividades com os seus filhos”, disse Hicks. Ele terminou sua participação dando a dica de aliar atividades lúdicas à aprendizados sérios, importantes para a vida, como por exemplo, construir uma rampa para pular de bicicleta: pode ser divertido e instrutivo ao mesmo tempo. É uma maneira divertida de aprender matemática ou física.

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