O 26º Fórum da Liberdade trouxe para debate as consequências dos problemas da Educação Básica no Brasil. Os debatedores foram o autor de livros sobre finanças pessoais Gustavo Cerbasi, o Diretor Corporativo do SONAE, Luis Filipe Reis, e o ex-ministro de Estado da Infraestrutura, Ozires Silva. A mediadora foi a diretora de comunicação do Instituto de Estudos Empresariais, Lisiane Pratti.

Quem começou o debate foi Cerbasi, que defendeu que a falta da educação financeira traz consequências muito sérias para a economia brasileira.  “A família brasileira consome demais durante o final de ano e parcela tudo em 12 vezes. O impacto disso se vê na sazonalidade do comércio que é gigante”, explicou. Para ele, a permanência deste modelo é prejudicial porque se vende muito no final do ano e no restante se compra pouco, causando um desequilíbrio nas contas dos comerciantes. 


Além disso, o endividamento das famílias também é prejudicial. “As pessoas se arrependem de entrar no cheque especial, de entrar em um financiamento, de estourar o valor do cartão de crédito. O motivo é que isto causa custos mais elevados e compromete toda a renda da família. Assim basta um pequeno aumento no combustível, no preço do tomate para que o orçamento engessado acabe estourando.”, explicou. 

Gustavo Cerbasi ressaltou a importância da educação financeira nas escolas.

Cerbasi acredita também que a educação financeira faria com que as pessoas compreendessem que o modo como a estrutura da aposentadoria hoje é insustentável. “Nós vivemos em uma realidade de vinte, trinta anos atrás. As pessoas ainda acreditam que vão sobreviver com o dinheiro da aposentadoria. Será que o valor será mesmo o suficiente?”, contestou. Para ele as pessoas deveriam ser incentivadas a se tornarem empreendedoras depois de uma certa idade. “É preciso pensar em ser um investidor, não se deve querer ser um empregado a vida toda.”, incentivou. 

Na sequencia, palestrou Luís Felipe Reis que falou do desafio de educar a Geração Y. O Diretor Corporativo do SONAE começou contando sobre como as gerações passadas tinham outras características comportamentais e pontos de vista, por isso era mais fácil educá-las.

Para ele, se encaixam na geração Y os menores de 22 anos. Neste caso, o desafio de ensinar a nova geração se encontra em sua instabilidade. “Essa geração não acredita em nada que não seja divertido. Ela é móvel e muito impaciente. Aceita o treinador mas não aceita o chefe”, destacou. Ao contrário de como faziam as gerações passadas como os Baby Boomers. “Esses são os que mandam hoje, têm entre 44 e 66 anos. Eles acreditam no trabalho árduo e com disciplina, e que quanto mais esforço mais sucesso terão. E a estabilidade é sinal de sucesso”, salientou. O desafio da educação básica no Brasil é tornar educação atraente para a geração Y. “No Brasil temos escolas do Séc. XIX, professores do Séc. XX e alunos do Séc. XXI”, criticou.

A dificuldade em tornar a educação atrativa para a geração Y foi o tema de Luis Felipe Reis.

Já Ozires Silva acredita que o grande problema da educação é a falta de envolvimento da população no processo. “O que a sociedade está fazendo em relação aos problemas da educação?”, questionou. E afirmou que a educação e o desenvolvimento só são possíveis em uma sociedade que esteja disposta a lutar por isso. “Steve Jobs, foi um sujeito que pensou muito além do horizonte em que vivia e criou coisas geniais. Mas como ele mesmo afirmou uma vez, isso só foi possível porque estava na sociedade correta, no Silicon Valley onde suas ideias e visões foram compreendidas e aceitas”, destacou.

Ozires Silva defende que no Brasil há uma forte intervenção estatal na educação. “O poder político é quem está conduzindo a educação no Brasil.”, disse. “Porque o governo tem que controlar os currículos, controlar cada escola? Imagine o governo dos EUA controlando o currículo de Stanford”, ironizou. Além disso, Ozires se posicionou contra as cotas. “No mundo de hoje vence a competência. É preciso fazer com que os cotistas se tornem competitivos. A natureza fez um projeto espetacular no planeta, o melhor vence. Portanto, não dá para fazer com que as arvores pequenas prevaleçam sobre as grandes.”, afirmou. 

Confira a reportagem do Portal de Jornalismo


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