O 5º painel do Fórum da Liberdade teve como tema “Falta de infraestrutura: a infraestrutura pública é gratuita?”. O debate contou com a presença do economista espanhol Gabriel Calzada Alvares, do ex Governador do Espirito Santo Paulo Hartung e do presidente da empresa GOL Linhas Aéreas Inteligentes, Paulo Kakinoff. O mediador foi o diretor de Relações Institucionais do IEE e Fórum da Liberdade, Eduardo Fernandez.

 

O debate começou com a palavra do ex Governador do Espirito Santo, Paulo Hartung. Ele defendeu a ideia de que é preciso trazer o capital privado para assumir o papel do Estado. “Precisamos de um estado que cumpra suas tarefas”, afirmou. Hartung também aproveitou a oportunidade para explicar sobre os projetos que realizou durante sua gestão como governador. O político destacou, na questão do saneamento básico, o 100% de aproveitamento das redes de esgoto obtido pelo Espírito Santo. Para ele, porém, não há motivos para comemorar o feito. "Isto deveria ser uma obrigação do Estado, serve para mostrar um retrato do atraso brasileiro”, criticou. Paulo Hartung ainda mencionou o caso da infraestrutura nos aeroportos para receber a Copa em 2014. Salientou que se as obras não avançarem como foi prometido “o Brasil irá passar vergonha”. 

O presidente da GOL linhas aéreas, Paulo Kakinoff, discordou da posição de Hartung. Para ele, a necessidade de investimento dos aeroportos é notável. Porém, isso não será problema, pois conseguirão atender a demanda no período da Copa. Kakinoff garantiu que - nesse sentido - não haverá transtornos na Copa do Mundo no Brasil. 

 

 

 

Questão da infraestrutura foi destaque/Foto: Victoria Campos
Ainda assim, Paulo Kakinoff acredita que é preciso uma mudança de pensamento. “É necessário traçar políticas de desenvolvimento que sejam duráveis”, explicou.  O  presidente da GOL também se posicionou a favor da privatização nos aeroportos. Segundo ele, está seria uma maneira eficiente de solucionar muitos problemas, como o dos gargalos. O presidente da GOL também cobrou um maior cuidado do governo na questão da infraestrutura. “Há falta de trabalho das autoridades públicas para que haja um conceito claro de infraestrutura no país”, assinalou. 

O último a se apresentar foi o espanhol Gabriel Calzada Alvarez. Ele afirmou que investimentos em infraestrutura precisa respeitar uma série de fatores. “Depende de quem vai implantar, onde, como, quando e de que maneira”, declarou. Somente assim, ela será bem aproveitada.

Alvarez, porém, deu ênfase em sua palestra aos projetos verdes ligados à sustentabilidade. Na Espanha os investimentos no setor chegaram a custar um terço do PIB. “Eles são chamados de verdes porque não estão maduros”, ironizou. Para o espanhol, essa linha de projeto mascaram a realidade com uma ideia de desenvolvimento e infraestrutura barata. Porém, na realidade, custa mais caro do que se imagina e - no momento - não oferece um bom retorno financeiro. 

Fazendo menção ao tema do Fórum da Liberdade, “O que se vê e o que não se vê”, Calzada explicou que, no caso da energia sustentável, o que é possível enxergar são os impostos e o que fica escondido é justamente o retorno do dinheiro investido. 

 

Necessidade de uma maior eficiência do governo foi cobrada/Foto: Victoria Campos
Para o espanhol, muitas vezes obras de infraestrutura são feitas em determinados lugares, apesar de serem desnecessárias. Alvarez observou que os governos acabam realizando obras caras, em locais nos quais não existem demanda para aquele serviço. “Muitas vezes os governos criam um projeto de infraestrutura para algo que não faz o menor sentido”, criticou.

A questão da infraestrutura afeta diretamente o país, pois em função da Copa do Mundo e as Olimpíadas uma série de obras estão sendo realizadas. Para os palestrantes, o problema dos governos é saber onde implantar os serviços. Além ser capaz de fazer isso com o máximo de eficiência possível.

 

Confira a reportagem do Portal de Jornalismo

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