No terceiro dia da 5ª Semana do Jornalista, a ESPM-Sul trouxe a jornalista e pesquisadora Marcia Veiga da Silva, para abordar o tema Jornalismo e Gênero, discutindo quais as concepções de gênero no cenário jornalístico.

Marcia também realizou o lançamento do seu livro “Masculino, o Gênero do Jornalismo – Modos de Produção das Notícias”, refletindo sobre o papel desempenhado pelo jornalismo nas relações de poder e desigualdade que se fundem na sociedade.

A pesquisadora é doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi bolsista CAPES/SPM-PR, única selecionada na área de Comunicação pelo primeiro Edital Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres. É vencedora do Prêmio Adelmo Genro Filho 2011, na categoria Melhor Dissertação de Mestrado. Seus interesses de pesquisas são voltados para o Jornalismo, produção do conhecimento, gênero e sexualidade.

Ao discutir sobre as concepções de gêneros e a importância no cenário jornalístico, Marcia declarou: “A diferença de gêneros que leva à desigualdade é construída na sociedade”. A jornalista afirmou ainda que as pessoas com perfil mais “masculino” estão ocupando lugares de poder, e usou como exemplo a presidente Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar o cargo máximo na política brasileira.

A Professora do curso de Jornalismo, Rosângela Florczak, achou válido o debate: “Como disse a palestrante, o ambiente do ensino superior é o melhor lugar para discutir e desenvolver a consciência crítica a respeito desse assunto. Em minha opinião, muitas das crises nas grandes redações estão justamente nesse modelo da era industrial, onde se trabalha por um lead que talvez não tenha mais sentido na sociedade atual.”.

Rosângela no tempo em que trabalhou na redação, não chegou a sentir preconceito. “Uma coisa que acontecia na redação na época em que eu trabalhava e vejo acontecer ainda hoje é a reprodução desse preconceito para atender essa cultura hegemônica que se estabeleceu. Hoje em dia, a gente vê mulheres fazendo piadas machistas pra atender essa cultura, agradar e se manter naquele grupo.”

A Professora Roberta Sartori disse que foi uma palestra fundamental para a formação de pessoas. “Mais do que essa questão de gênero, mas sim sobre como é que nós estamos formando pessoas para enxergar o mundo. Essas pessoas precisam entender que elas podem enxergar uma coisa, mas também separar da sua própria visão e ainda assim trazer essa realidade para o leitor, dessa forma então formando um jornalista mais responsável, esclarecido e útil para essa sociedade tão carente de pontos de vista”.

Confira a reportagem da HubNews

 

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