A Diretora de Rádio da FM Cultura, Patrícia Duarte, e o Diretor de Jornalismo da Band RS, Renato Martins, foram os convidados para compor a mesa de debate do segundo dia do 2º Simpósio Nacional de Rádio. O debate ocorrido no dia 4 de novembro, teve como temática o mercado gaúcho. A professora de jornalismo da ESPM-Sul, Ângela Ravazzolo, fez a mediação do evento.
Patrícia iniciou sua participação comentando sobre a intensa participação do rádio na memória e dia a dia dos gaúchos. Para ela, que se diz apaixonada pelo veículo, aqueles profissionais que enxergam o rádio como um meio de comunicação mais fácil, estão enganados. “Descrever uma cena para o rádio deve contar com muito mais detalhes, a pessoa que está escutando tem que imaginar tudo. Como tu não tens a imagem para te apoiar, não é nada fácil essa tarefa”, reforçou.

A jornalista também comentou sobre a satisfação em trabalhar em uma estação de rádio estatal. Para ela, é um orgulho enorme receber e fazer entrevistas com jovens futuros estagiários que sonham trabalhar em emissoras estatais por acreditarem na democratização das mídias.

Ao comentar sobre a audiência da FM Cultura, Patrícia afirmou acreditar que as mídias sociais em momento algum afastam os ouvintes. De acordo a jornalista, esses meios que multiplicam as informações fazem com que os ouvintes não sejam somente atraídos para o rádio, entretanto, também possam escutar o conteúdo em outros lugares, como na internet.

Renato Martins comparou o mercado jornalístico na época em que começou a atuar com o momento de inserção de novas plataformas. Para ele, um mercado que ainda é considerado pequeno e mantém redações enxutas, já progrediu. Ainda fazendo comparações, Martins comentou sobre as diferenças entre a TV e o rádio. De acordo com Renato, o rádio se faz importante por ser imediatista e, consequentemente, sugerir pautas para outras plataformas; enquanto a TV, em seu formato fechado e sem improvisos, acaba sendo menos atraente.

O convidado também comentou sobre os furos jornalísticos e sua irrelevância. Para ele, preocupar-se com o furo vai contra a lógica do ouvinte. “O ouvinte quer que a rádio que ele está escutando dê a notícia certa e com uma análise mais profunda. Ele não vai ficar querendo saber qual foi a primeira a dar a informação”, afirmou.

Ao finalizar o evento, o Diretor de Jornalismo da Band RS deixou uma dica aos futuros profissionais. “Trabalhem e comecem no mercado de qualquer maneira. É preciso ingressar no mercado, mesmo que não seja na área de interesse. Mas lembrem, a velocidade do mercado não é a velocidade da internet, os chefes querem maturidade de vocês. Queiram esperar um pouquinho”, destacou.
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