A Bienal do Mercosul deu início na sua 10ª edição no dia 8 de outubro e contemplou cerca de 700 obras distribuídas em oito locais na Capital gaúcha. Ao todo, estão sendo expostas em Porto Alegre criações de 402 artistas, representantes de 21 países.

Segundo os curadores, em entrevista ao G1, a proposta deste ano é retomar uma das vocações históricas da Bienal do Mercosul, exibindo exclusivamente a produção artística dos países da América Latina. “Mais de 20 anos depois, a Bienal do Mercosul está sendo profundamente reavaliada em sua perspectiva política, reconsiderando o papel que desempenha no contexto das dezenas de Bienais que existem atualmente ao redor do mundo”, afirma o Presidente da Fundação Bienal do Mercosul José Antônio Fernandes Martins.

Um dos espaços utilizados para comportar as obras foi o Santander Cultural, localizado no Centro Histórico, mais precisamente na rua 7 de Setembro. O espaço, que tem visitações diárias, recebe durante a semana, em sua maioria, “grupos agendados”, que são escolas que vão com horário marcado, como explica o mediador Bruno Lumertz.


O estudante de Políticas Públicas da UFRGS é uma das pessoas que acompanha os grupos durante a visitação ao Santander Cultural. Na ocasião, ele guiava um grupo composto por alunos do 1º ano do Ensino Médio. Ao passar pelas obras, ele explicava um pouco da interpretação e a maneira como foi feita. Poucas conseguiam atrair a atenção total do grupo, mas teve uma que foi unanimidade nos olhos atentos dos jovens.

O mediador pergunta “Quem toma coca-cola aí?”, uma boa parte do grupo ergue as mãos e já fica atento às próximas palavras de Bruno. Ele explica então, sobre uma obra do uruguaio Federico Arnaud. A criação é de 2013 e traz um vídeo de quatro minutos, que se repete em uma televisão LCD com uma moldura dourada. Nas imagens, é possível ver o símbolo da Coca-Cola em algum material que está em decomposição, onde moscas e outros insetos pousam e a cor e a textura vão se transformando. “Isso que vocês estão vendo é carne de boi em decomposição. O artista entalhou o logo em osso e revestiu com carne. Depois, ele deixou em decomposição e foi gravando”, afirmou. Pergunto à uma das estudantes o que ela achou: “é nojento, né? Mas eu não conseguiria ficar sem tomar Coca!”, afirmou Luisa Souza, de 15 anos.

Bruno seguiu explicando que a obra levou cerca de um mês e meio para ser produzida e que para chegar ao vídeo final, Federico registrava cerca de um minuto da carne em decomposição todas as manhãs e todas as noites. Sobre a interpretação da obra, o mediador, que já conversou pessoalmente com o artista sobre a mesma, afirma que a intenção é alertar sobre os perigos do produto. “A coca é uma marca globalizada, foi uma das primeiras a não venderem um produto e sim uma ideia, a de abrir a felicidade, no caso. Mas o que as pessoas esquecem, é que ela faz muito mal para a saúde e que no Brasil, inclusive, ela é produzida com uma substância cancerígena, a Caramelo4”, afirmou. O mediador Bruno chamou o grupo, que seguiu para observar as outras obras do circuito.

A 10ª Bienal do Mercosul ocorre até o dia 22 de novembro e, em Porto Alegre, reúne obras na Casa de Cultura Mario Quintana, Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, Instituto Ling, Memorial do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), Museu Júlio de Castilhos, Santander Cultural e Usina do Gasômetro. Os horários de visitação variam de acordo com o local.


Por Victoria Campos
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