Sala de Aula

Os dois clubes se atrapalharam dentro e fora de campo, o que acabou gerando um grande desperdício de tempo para ambos. O Internacional saiu no lucro conquistando uma vaga na Libertadores da América na última rodada do Campeonato Brasileiro depois de uma vitória, na base da superação, sobre seu maior rival. 

Mas será que isso foi suficiente para um clube que possui uma das maiores folhas salariais do país? Com certeza não.

A torcida se acostumou a ganhar títulos internacionais, um atrás do outro e não se conforma em apenas comemorar uma vaga. É percebida uma indignação pelo fato de o Internacional, mesmo tendo sempre os melhores elencos, não ter conseguido ainda erguer uma taça do Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

Este ano, o time foi fortemente abalado por problemas políticos. A candidatura de Giovanni Luigi foi marcada por um racha na gestão que comandou o clube nas maiores conquistas da história. A paralisação das obras do Beira-Rio tomou conta do noticiário e, de certo modo, afetou a imagem do clube. 
Inter garantiu vaga para a Libertadores na última rodada
Dentro de campo, o início de temporada foi conturbado. O Internacional fez uma aposta equivocada no momento da escolha do eterno ídolo Falcão para o cargo de treinador. Os resultados foram de mal a pior e o Internacional foi eliminado vergonhosamente da Libertadores pelo Peñarol. Foi uma ducha de água fria para o torcedor que tanto acreditava no trabalho do Rei de Roma.

Além disso, ainda foram presenciadas discussões públicas entre o Presidente Giovanni Luigi e o então Vice de Futebol, Roberto Siegman, que repercutiram negativamente nas atuações da equipe.  As trapalhadas só terminaram no segundo turno do brasileirão com a chegada do bom técnico Dorival Junior.

Dorival barrou alguns veteranos, que eram titulares apenas no nome, como Indio e Bolivar. O jovem técnico conseguiu implantar um padrão de jogo competitivo, levando a equipe ao G5 do Brasileiro. Foi uma grande conquista, considerando as dificuldades que o clube enfrentou. Para 2012, é necessário rejuvenescer o elenco. Existem muitos titulares que não conseguem mais atender ao nível exigido pelo futebol profissional.
 
Do outro lado da avenida, os problemas do Grêmio são ainda mais graves.

E pior. São situações que não se originam apenas dessa temporada. O Grêmio não consegue há tempos fazer um planejamento equilibrado que lhe credencie a títulos. As contratações de treinadores e jogadores são erradas e não são feitas com uma política de continuidade em longo prazo.

Desde que assumiu novamente o cargo de presidente do Grêmio, Paulo Odone demonstrou falta de convicção total. Manteve Renato Portaluppi mesmo que este não fosse o técnico de sua preferência. Aproveitou-se de um mau início de semestre para dispensá-lo, o que resultou a fúria do torcedor.
Os insucessos forçaram a direção a fazer mudanças com o andamento do brasileiro. Julinho Camargo foi uma aposta que não deu certo e o Grêmio teve que partir para o seu terceiro técnico da temporada, Celso Roth.

A zona de rebaixamento era a realidade do momento e o Grêmio decidiu contratá-lo mesmo que direção e torcida não o considerassem um técnico ideal para garantir as conquistas que um time do tamanho do Grêmio busca.  Roth veio para apagar o incêndio e cumpriu eficientemente seu papel. 

Só que passado o desespero, ele já não serve mais... E o Grêmio começa tudo do zero.
Grêmio terminou o Brasileirão em 12º lugar
Não é só na casamata que está o problema. As contratações e saídas de jogadores não têm sido bem administradas. O Grêmio investiu bastante em jogadores problemáticos que não deram resposta como Carlos Alberto e mais recentemente Miralles. Depois para dispensar, o custo se torna maior. Para 2012, já foi anunciado Kléber, outro jogador com histórico de indisciplinas.

Os contratos de alguns jogadores são mal elaborados e fazem com que o clube perca atletas importantes sem receber quase nada, como no caso da saída de Jonas para o Valência. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Um mico sem tamanho foi o caso Ronaldinho 2011. O Grêmio praticamente anunciou a contratação de seu ex-craque e prometia festas com grandes repercussões na mídia. Mesmo que o Grêmio tenha sido passado a perna e se livrado de uma bomba, a promessa de contratação não cumprida pela direção, repercutiu muito mal.

O que acontece é que nesses últimos anos, o clube tem dado prioridade à fatos alheios ao futebol e conquista de títulos. Se fala demais nessa nova Arena. Enquanto isso, o time fica abandonado.

O Grêmio precisa agir e investir com mais critérios. Se planejar melhor a cada temporada. É hora de parar de vender ilusões ao torcedor de se contentar apenas com as derrotas dos rivais. Num ano muito ruim como esse, viam-se dirigentes e torcedores comemorarem como se fosse título de copa do mundo, vitórias em grenais e sobre o Flamengo de Ronaldinho.

O Grêmio é muito mais do que isso, mas parece que a direção esqueceu. Claro que o Presidente Paulo Odone já fez muito pelo clube. Ele tirou o Grêmio do inferno no pior momento de sua história. Mas isso foi um começo. O torcedor quer e merece mais. Dez anos sem títulos de expressão é demais para um grande clube brasileiro.

Bom, vimos que os gaúchos foram apenas coadjuvantes nas principais disputas da temporada. Fica a expectativa que as duas grandes forças do nosso estado revejam seus erros e entrem 2012 preparados para mais uma guerra. E que dessa vez, nossas façanhas sirvam realmente de modelo a toda terra.
Com intuito de entender as inúmeras variedades da linguagem, foi proposta a turma de jornalismo do segundo semestre, uma série de atividades. Atividades teóricas e alguns exercícios práticos sobre a gramática e linguagem de nossa língua mãe.

Primeiramente nos foi sugerido ler alguns textos, polígrafos sobre linguagem e suas variáveis. Após isso, nossa professora, Eveli Seganfredo, nos orientou a irmos à rua e coletarmos  depoimentos com pessoas que não conhecíamos, de faixas etárias diferentes e com oportunidades de estudos diferentes. Antes de criarmos as perguntas e sairmos a coletar respostas e depoimentos, procuramos entender as regras e os conceitos da Linguagem. Também nos foram ensinadas as normas da Gramática e da Linguística, tudo isso para termos o conhecimento básico sobre o assunto.

Para tal exercício, a turma de Jornalismo foi dividida em grupos com número igual de integrantes  e cada grupo tinha total autonomia para formular as perguntas e se organizar como achasse melhor. Algumas perguntas foram feitas,  nem todas as pessoas demonstraram conhecimento total sobre o assunto, mas todas foram bem receptivas  e, de certa forma, sabiam algo sobre o tema. Ainda assim, algumas pessoas ficaram com o “pé atrás” no momento de resposta, talvez com medo de ficarem expostas.

Como primeira pergunta, as pessoas tiveram que comentar sobre o primeiro contato delas com a escrita e sua relação com ela. “A escrita está presente na minha vida desde os primeiros anos de colégio, tendo meu primeiro contato com ela aos cinco anos de idade. Desde aquele momento, ela se tornou fundamental em minha vida , seja em assuntos escolares, seja em assuntos de minha vida particular” disse um jovem estudante de Direito, de 19 anos. Já uma garota de 11 anos, aluna da quinta série do ensino fundamental, respondeu assim: “A minha relação com ela (escrita) é a toda hora. Meu primeiro contato foi na primeira série, todo dia que passa tento melhorar essa relação”.
 
A segunda pergunta foi feita para que pudéssemos mensurar o entendimento das pessoas sobre a Gramática, Perguntamos  se as pessoas entendiam a Gramática, suas normas e qual seria a relação delas com o conjunto de regras. Uma estudante de Relações Públicas, de 19 anos, respondeu e demonstrou uma forte opinião: “Entendo a Gramática portuguesa, porém acho desnecessário o grande número de exceções. Seria mais simples se as regras se aplicassem a todas as palavras, pois assim as pessoas cometeriam menos erros gramaticais, que são muito comuns”. A mesma pergunta foi feita a um empresário, 46 anos. “Acredito que sim. Como trabalho na área de vendas, estou sempre em contato com outras pessoas, fazendo reuniões e escrevendo e-mails, tenho sempre que estar atualizado”.

Como última pergunta, indagamos as pessoas sobre a relação delas com a Linguística e seu entendimento sobre esse estudo. Algumas pessoas não entendiam ou não conheciam sobre o assunto. Nesse momento foi preciso uma breve explicação sobre o tema: “Linguística é o estudo da linguagem verbal humana. Ou seja, é o estudo que tenta descobrir como a língua funciona. Estudando todas elas, porém dando preferência às variações populares faladas em diversas comunidades”. “Ah, assim fica mais fácil (risos). Sobre o estudo em si, não. Porém tenho uma relação com pessoas diferentes de diferentes lugares, que possuem diferentes maneiras de falar, sejam gírias ou sotaques”. Assim respondeu um estudante de Engenharia de Produção, 21 anos.  Uma dona de casa, de 46 anos, pensa assim: “Sim, entendo. No meu dia a dia até emprego alguns ditos populares. E acho muito importante as comunidades preservarem suas características na linguagem, assim fica mais simples distingui-las”.

Todos entrevistados responderam três questões pontuais. Depois de feitas as perguntas se criou uma brecha maior para explicarmos às pessoas as diferenças entre as normas da Gramática e o estudo da Linguística. Tentamos mostrar de modo claro que o português não acaba nas regras da Gramática, mas que podemos aprofundá-lo nas diversas formas, não tão cultas, de nos comunicar.
É impressionante como as pessoas morrem de medo da gramática. Morrem de medo de português. Morrem de medo da própria língua materna. Deve ser complicado ter uma relação tão conturbada com sua língua materna, aquela com a qual aprendemos a falar, com a qual geralmente pensamos e com a qual deveríamos ter maior facilidade do que qualquer outra. No último dia 2 de abril, foram entrevistadas cerca de 25 pessoas num shopping da capital, todas de faixas etárias e classes sociais completamente diversas. Questionadas sobre seus conhecimentos sobre linguística e gramática e suas diferenças, elas responderam de forma hesitante. O resultado serviu para desvendar o preconceito velado que se faz àquelas pessoas cuja fala não segue exatamente a sonoridade com a qual o entrevistado estava acostumado.

Ao serem questionados sobre a correção de frases como "eu não tô me sentindo bem" e "nóis vai no supermercado", que certamente são utilizadas, ou ao menos ouvidas, todos os dias, pelos entrevistados sem causar nos mesmos aquela sensação de ter "assassinado o português", todos se esquivavam e condenavam, até mesmo uma garotinha de 11 anos:

"Na verdade, eu não aprendi no colégio isso. O 'nóis vai' tá errado." Ela é acompanhada por muitas pessoas com quatro vezes sua idade e instrução, e frases - ironicamente "incorretas", considerando o julgamento de nossos entrevistados - como "agora tu me pegou" e "acho que tá errada" foram frequentes respostas. Ao que parece, todos reconhecem em si o indivíduo que fala esses "dialetos da língua falada", mas, frente a uma câmera, um gravador, um registro passível de julgamento, só o que se veem é o olhar austero de uma professora de português, o símbolo da "gramatichata" (os ecochatos já têm têm um rival) gravado no inconsciente coletivo, de quem queremos, ao menos uma vez, arrancar um sorriso. No fim das contas, os gramáticos conseguiram aterrorizar a população como o padre que anuncia o apocalipse, mas dá uma opção para revertê-lo: parece que contrariar a gramática é pecado capital sob qualquer circunstância, quase um ato de egoísmo que ocasionará a corrosão da sociedade como um todo, impedindo a "salvação". Portanto, há de se ter essa relação um tanto "amor-e-ódio" com algo que se teme e acata dadas as circunstâncias.

Mas você pode ser um daqueles a se perguntar, em silêncio, se linguística é alguma coisa da qual você se lembra ter visto no colégio - até com um certo receio, o eterno receio --, e deixar isso quieto. Basicamente, linguística é outra ciência que estuda a língua, mas ao contrário da temida gramática, parte do ponto-de-vista do entendimento da mensagem expressa nas palavras e orações. Com isso, as frases acima citadas não estariam nem um pouco incorretas: afinal, se entende que uma pessoa não está passando bem e que as outras vão às compras. Convencido? Foi fácil de fazer os entrevistados logo entenderem e simpatizarem com a linguística (agora imaginamos crianças chegando em casa e contando para os pais que aprenderam uma coisa nova na escola hoje).

Não faço qualquer objeção à existência da gramática: ela serve como um código que modera a população e sua linguagem para que se mantenham no caminho do aprimoramento, sem desvirtuarem. O que não pode ocorrer é uma taxação do que é certo ou errado, porque, afinal, tudo depende do ambiente de convivência de um indivíduo: não é impossível que você fale algo que chama de "errado" sem perceber, diversas vezes ao dia. A linguagem, por mais "errada" que possa parecer, define os personagens do jogo, e não há nada melhor do que isso.
Lembro-me bem de como era minha escola primária. Quando passávamos do Jardim de Infância, onde usávamos "caderninhos", para o Ensino Fundamental, fazia-se uma festa de turma: era o ritual de passagem para o "cadernão", como chamavam. Era tanta expectativa, que eu rememoro o zelo descabido que tinha por ele - folheava e folheava suas páginas ainda intactas, e levei um mês para achar a coragem (ou a covardia) para riscá-lo. Meu primeiro amor pelas folhas em branco de um caderno.

Foram muitos anos depois que, tendo lido alguns livros de fantasia, eu pensei em fazer o meu próprio, mas mais uma vez aquelas benditas folhas em branco não me deixavam seguir. Deixei várias ideias maravilhosas perdidas para trás, e quem quisesse as ter que as tivesse, escrever não era, afinal, um prazer para mim. Era antes um esforço, uma traição, e o fim da mágica do impossível de todas as histórias que eu empreitava. Então deixei para que a fantasia ficasse na minha própria cabeça, um segredo meu que não era dever da escrita compartilhar. Até que vivenciei outros rituais de passagem, tão comuns a todos que não convém citar, e troquei as fantasias por ideais.

Numa dessas, eu havia acabado de ler Sonho de Uma Noite de Verão e alguns livros sobre meditação, e daquilo, sem qualquer motivo racional, depreendi a ideia de me tornar vegetariana. Naquele mesmo dia (e era verão, a virada do ano, por sinal), eu tive um sonho como daqueles de fantasia da minha infância. Eu era uma personagem que se via obrigada a mudar para uma cidade do outro lado do mundo, morar com seu pai que nunca antes conhecera, e tudo isso a levava a uma história completamente mágica e surreal, em que ela descobria que não enxergava as pessoas da mesma forma que as outras, porque simplesmente era algo acima da humanidade. 

Honestamente, pouco lembro do sonho, mas em compensação, do caderninho laranja que ela (eu) levava consigo, anotando tudo que vivenciava e principalmente poesia, nada me escapou. Isso me remeteu a duas coisas, dois cadernos que então eu me arrependi de quase deixar em branco: meu diário, para o que nunca tive a paciência, e meu caderno de poesias, para o qual nunca tive a inspiração.

Segui escrevendo essa estória, preenchendo os buracos que o sonho não me deu, e continuei no vegetarianismo ao mesmo tempo em que minha mãe me sugeriu praticar Yôga como melhor maneira de aprender a meditar, um dia, quem sabe. De alguma forma aquele sonho parecera algo tão certo, me mostrou algo que desta vez eu estava disposta a fazer, algo que me disse que minha nova resolução iria mudar minha vida para sempre, e para melhor. Quase como que, de repente, as páginas em branco do meu futuro não mais me intimassem, e sim me motivassem a escrever nelas. Nelas eu iria contar a minha história, eu seria a autora da minha própria história, e neste futuro estava incluída a publicação de um livro, a estória de um caderno laranja.

Com as metáforas que a minha vida me deu -- pois cada um tem as suas --, eu percebi que não nos convém mudar o caderno, quem nós somos a fundo, mas sim encontrar a coragem para macular as páginas do mesmo, e se permitir a leitura de outros. Eu mesma fui convidada a não fugir do caminho que estou traçando: no ano novo de dois anos depois, recebi um presente de um amigo secreto na minha Escola de Yôga, que nem sabia meu nome. E, ao ver aquele pequeno caderninho laranja sair de dentro da caixa, sorri de todas as formas possíveis. Esta era a minha história real, tão fantástica quanto as com que sonhava, em que nenhum dos deuses e demônios que povoavam minha mente na infância iriam interferir.
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