Sala de Aula

O XXIV Fórum da Liberdade foi realizado em Porto Alegre, nos dias 11 e 12 de abril e teve como tema a liberdade na era digital. O evento contou com oito painéis, que eram constituídos por duas pequenas palestras e, em seguida, por um debate entre os palestrantes, com perguntas enviadas pelo público e conduzido por um mediador.  Do segundo deles,  intitulado “Inovação e tendências: olhando o futuro”, participaram Carlos Affonso de Souza, Doutor em Direito Civil, e Rony Rodrigues, sócio-fundador do Grupo Box 1824.

Carlos Affonso abriu o segundo painel falando sobre questões jurídicas na internet, porque, como o jovem está cada vez mais conectado às redes, fazer downloads, copiar e compartilhar versões de uso pessoal tornou-se uma prática comum no dia a dia cibernético. Acontece que, nem sempre, essa apropriação de conteúdos acontece de forma adequada.

Existe uma legislação que proíbe o usuário de baixar arquivos protegidos por direitos autorais,em contrapartida, há sites que liberam esses conteúdos para download livre e gratuito, desrespeitando, portanto, essa legislação. Mas destaca que “o acesso à internet deve ser reconhecido como um direito fundamental de todas as pessoas”. Ainda fala que esse cenário é velho conhecido da história, pois mostra como as leis são burladas facilmente em certos países, contanto ainda acha que a internet é um dos principais meios de expressão disponíveis atualmente.

O segundo palestrante foi Rony Rodrigues, que falou justamente sobre a vida virtual desses jovens que Carlos Affonso também havia apontado. Para ele, hoje em dia, os adolescentes têm muita privacidade. Podem fechar a porta do quarto e navegar na internet sem supervisão ou intervenção nenhuma dos pais ou responsáveis, o que é muito bom para a construção da identidade de cada indivíduo, mas, com excessos e, se usada de maneira indevida, a internet pode desencadear não somente os crimes virtuais aos quais se referiu o palestrante anterior, mas também o isolamento social e a agressividade. Ao final de sua apresentação, deixa a mensagem de que é imprescindível que haja responsabilidade e senso crítico para que possamos selecionar os conteúdos bons da internet, pois “ao contrário do que se ouve por aí, não há só lixo na rede”.

Para encerrar o painel, o mediador Sardenberg, comentarista de economia do Jornal da Globo,  questiona sobre a importância da internet para aproximar as pessoas. Rodrigo afirma que quase não há mais divisão entre a vida on-line ou off-line dos internautas, pois, com as ferramentas disponíveis, compartilhamos o que fazemos instantaneamente e podemos conversar com alguém que está no Japão como se fosse nosso vizinho.
Partindo do conceito de linguística, que consiste em estudar a linguagem verbal dentro do contexto social, os alunos da turma de jornalismo da ESPM-Sul foram às ruas entre os dias 05 a 11 de março para entrevistar diferentes pessoas com idades e classes socais diversas, a fim de saber o conhecimento deles a respeito dessa ciência, e como esta repercute em suas vidas.

Perguntamos se a seguinte frase estaria correta: " Nóis fomo ali e voltemo" e o que ouvimos foi:
- Depende, falando "tá" certo, mas pra escrever já fica errado.
(Maria Rodrigues, 48 anos, comerciante).

- Errada, pois "assassina" o português. 
(Matheus Dutra, 17 anos, estudante).

-"Tá" errada, pois o certo seria nós fomos e voltamos. 
(Alcir Konopka, 41 anos, motorista).

- Acho que "tá" errado, né? Porque no português tem que ser tudo certinho.
(Elizabeth dos Santos, 38 anos, doméstica).

A maioria dos entrevistados julgou a frase como sendo incorreta, pois sempre que se fala em português associam à gramática, e desprezam a linguística, mesmo, às vezes, tendo algum vago conhecimento sobre a ciência. 

Tomando como base a entrevista que fizemos com Alcir Konopka, vemos isso se confirmar. Para Alcir, saber as regras gramaticais é fundamental, porque, só assim pode-se expressar com clareza, obter uma melhor comunicação com "o mundo", levando em conta que este exige muito em termos de relacionamento. Afirmando diferenciar uma linguagem coloquial da culta, ele falou sobre os diferentes tipos de linguagem existentes. "-Cada um tem seu jeito de falar, de acordo com os lugares onde vivem", comentou. E relacionado a isso, ressaltou as diferentes linguagens que um dialeto pode conter, dependendo da região, sotaques e gírias específicas. A partir de suas conclusões, entramos no assunto linguístico e perguntamos se ele sabia nos responder sobre o que se tratava. Alcir arriscou um palpite e disse: 

“-Grámatica deve ser das palavras, a forma correta, e a linguística deve ser como se fala "por ai"”. 

Mesmo sem conhecimento, Alcir acertou e ,depois que lhe foi devidamente explicado o conceito, concordou que a frase que perguntamos no começo da entrevista, antes tida como errada, estaria certa de acordo com os termos da linguística. 
Ao contrário de Alcir, houve aqueles que nunca tinham ouvido falar na ciência, como conta Elizabeth: 

“- Não sei. Pra mim, português era só uma coisa, nunca ouvi falar nisso”.

Já o estudante Matheus, citado anteriormente, mesmo conhecendo a linguística julgou a frase como errada quando lhe perguntamos a respeito dela no início da reportagem, porém, para ele, o entendimento das regras gramaticais não é fundamental para uma comunicação, e deu o exemplo da internet, que é um lugar onde as pessoas não escrevem corretamente e, mesmo assim, é uma forma de se comunicar. Sendo questionado sobre o seu entendimento da ciência e a forma como julgou a frase errada, ele responde:

“- Nem me lembrei da linguística, pensei logo nos erros de português", contou”.

Não só Matheus, mas outros que também apontaram a frase como "a forma incorreta" sabiam da existência da linguística e a entendiam.  Isso só mostra a irrelevância que as pessoas dão a essa ciência, e a atenção que elas dão à gramática como "o certo" absoluto; o que é contraditório ao fato de elas mesmas não falarem de forma culta no seu cotidiana, e sim fazer sempre uso da "impertinente" variação.
Nesta última segunda-feira, 11 de abril, o músico e compositor Lobão ministrou uma palestra aos alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing, com o objetivo de esclarecer fatos específicos de sua vida pessoal e profissional, assim como transmitir aos estudantes sua visão cultural e crítica da sociedade contemporânea. O mesmo, ele faria horas mais tarde, no Fórum da Liberdade.

Como estudante de jornalismo do primeiro semestre, eu estava ali acompanhando o discurso, e honestamente me sentindo envergonhado do que ouvia, apesar de a grande maioria da plateia aplaudir e concordar com as teses esdrúxulas e contraditórias de Lobão. O palestrante elevava-se ao posto de "senhor da arte" no Brasil, criticando e desprezando qualquer obra artística que não fosse produzida por ele próprio, despejando palavrões e ofensas a outros músicos e compositores dos mais variados gêneros possíveis.

Sua principal crítica foi à geração dos anos 80, a mesma a que ele pertence. De acordo com sua visão egocêntrica, nenhum artista daquela década presta, são todos compositores convencionais e aprisionados às gravadoras. Ele agredia verbalmente bandas consagradas como Titãs, Paralamas do Sucesso, e músicos como Caetano Veloso e Maria Bethânia.

O que se entende por não convencional na visão do "mestre" Lobão é o uso constante de palavras de baixo calão e ataques ao trabalho dos colegas. Na minha opinião, isso não é anti-convencional, mas sim falta de educação e deselegância, o que só contribui negativamente para nossa formação cultural. Ainda mais considerando que o auditório era composto por um público jovem e a personalidade lá presente deveria passar uma imagem positiva e não ser exemplo para maus comportamentos e atitudes desregradas.

Lobão não se deteve apenas à década de 80, ele também disparou críticas e palavras chulas a músicos contemporâneos, como por exemplo, Luan Santana, entre muitos outros. Perguntado por uma aluna sobre que compositores ou músicos que admirava,ele citou apenas bandas desconhecidas do público em geral, e  sem sucesso, o que significa uma estratégia de promover seu nome em contraste com o de seus concorrentes atuais.

O que mais me preocupa, é que o sucesso de Lobão não se dá especialmente por seu talento ou competência, mas sim por esses desvios comportamentais, o que nos reflete a pobreza cultural da sociedade brasileira.
A língua portuguesa é um universo de linguagens. Línguas nascem e morrem junto com seus falantes. Mesmo assim, o mais comum é o entendimento de que existe uma língua padrão, uma norma culta que rege o uso que se faz do idioma. A linguística, ciência que busca compreender a língua com as alterações que são observadas na linguagem, como regionalismos, gírias e coloquialismos, traz uma concepção diferente. Ela estuda as variações dentro do idioma e defende que o importante é que haja comunicação, que a mensagem passada faça sentido.

Com a finalidade de observar como as pessoas compreendem e utilizam a língua, os alunos da primeira turma de jornalismo da ESPM-Sul realizaram uma série de entrevistas. O objetivo foi ilustrar os conceitos que envolvem o estudo das visões de língua discutidas na disciplina de Linguagem Jornalística I, ministrada pela Professora Eveli Seganfredo.

A turma foi dividida em grupos para a realização do trabalho. No grupo integrado pelos alunos Luiz Guilherme Alberto, Caroline Pinheiro, Desirée Ferreira e Renata Medeiros, primeiramente estruturou-se uma visão de gramática normativa e de linguística descritiva, para que assim pudessem ser organizadas as entrevistas que seriam realizadas.

O entendimento foi de que a gramática normativa é um conjunto de regras que não permite elasticidade entre o que se fala e o que se escreve. É preciso estar de acordo com o que está prescrito na norma culta para que seja considerado adequado o uso da língua. A linguística descritiva, todavia, incorpora as variedades da língua portuguesa, que diferem da gramática defendida como norma culta. Nesse campo de estudo, podem ser observadas diversas formas de uso da língua, que variam conforme espaço, tempo, pessoa e situação de linguagem.

A partir desses conceitos, os alunos organizaram questões para demonstrar as variadas visões de língua, a existência de língua padrão e não-padrão e, ainda, a noção de erro na gramática culta e na linguística.

As entrevistas foram feitas, em sua maioria, no shopping Praia de Belas, em Porto Alegre. Sua primeira etapa foi voltada a fazer as pessoas compreenderem que o importante é que exista comunicação, que o interlocutor entenda o que está sendo dito. Tentou-se não conduzir as respostas, evitando-se o uso das expressões norma culta, gramática ou linguística nas perguntas iniciais.

Foi feito, então, o uso de uma frase com erros conforme a norma culta.  Perguntou-se se “Me empresta uma caneta para mim escrever” estava correto. Respostas inusitadas foram dadas. Houve preocupação com o conteúdo da sentença,, e não com sua forma, “escrever o quê? Tinha que dizer o que vai escrever”, questionou de volta Caio Andrade, 28 anos, advogado, que, intrigado com a possibilidade de a pergunta ser uma pegadinha, não deu importância para os erros gramaticais que poderiam estar embutidos ou com o fato de que bastava entender a mensagem passada.

Isadora Navarini, estudante de 18 anos, respondeu que estaria errada porque “me empresta pra mim é pleonasmo”. Já Annelise Riva, 17 anos, estudante de Nutrição, referiu que a frase estaria “errada, porque mim não conjuga verbo”. O interessante é que ambas ficaram focadas em encontrar erros gramaticais, problemas com a norma culta que estudaram na escola. Isso demonstra que a compreensão da frase, de seu sentido, não lhes pareceu relevante.

Na sequência, os entrevistados foram perguntados se o uso de gírias na redação do vestibular estaria incorreto. Caio respondeu que “os caras estão sendo examinados para entrarem numa universidade, onde se tem que falar direito e, escrever também”, demonstrando que é forte a crença de que existe apenas uma gramática e, que esta deve ser respeitada tanto no uso oral quanto no uso escrito da língua.

Realizadas estas duas questões, explicou-se aos entrevistados, sucintamente, os conceitos e as diferenças entre a gramática normativa e a linguística descritiva. Alguns reagiram com surpresa ao fato de existir uma ciência que estuda as variações linguísticas e que defende a importância do ato de comunicar fazer sentido. Ana Cláudia da Luz, farmacêutica, 30 anos,  questionou se “isso tá valendo agora, com essa história de reforma”, confundindo a reforma ortográfica ocorrida na língua portuguesa com a questão em foco. Foi explicado a ela que o uso de uma norma padrão ainda é o convencional nas escolas, em concursos públicos e que a linguística é uma ciência que apresenta visões diversas sobre o uso do idioma.

Foi esclarecido, também, que o erro é visto de modo diferente na gramática culta e na linguística. Na primeira, está errado o que não está prescrito ou o que não está de acordo com o que está prescrito, enquanto que, na segunda, erro é apenas o que não faz sentido.

Questionou-se, ainda, o motivo de a gramática estar tão distante do cotidiano e, a possibilidade de as variações linguísticas serem incorporadas ao estudo convencional da língua. Nesse momento, as respostas transpareceram quão arraigadas as pessoas estão à concepção de que existe apenas uma língua culta a ser seguida, embora façam uso de gramáticas e linguagens diversas em seu cotidiano.

Ana Cláudia confessou que “ninguém fala tudo certinho, mas também incorporar não, porque não teria sentido ter gramática então”. Sua colocação reforça o pensamento de que existe a necessidade de seguir a norma tanto no uso escrito como na fala. Isadora, por sua vez, referiu que “não deveria incorporar, porque senão ia ser mais confuso do que já é e nunca ia existir uma coisa errada”, evidenciando o fato de que erro é tido como aquilo que não está de acordo com a língua padrão culta. 

Gleci Alves, 58 anos, professora de inglês, completou que “embora façamos vários usos do português, creio que não serão incorporadas as variações, mas saber que elas existem e, que há algo além da norma culta pode auxiliar as pessoas a se relacionarem melhor com sua língua”. Foi necessário conversar com uma professora, graduada em Letras, para ouvir sobre os temas estudados pela linguística. 

Ficou evidente que não há muita ponderação em relação à linguagem e ao uso de nosso idioma. O interessante seria introduzir essa reflexão no seu estudo, permitindo aos estudantes reconhecer a existência de linguagens variadas no universo da língua portuguesa. Seria importante fazê-los compreender, ainda, que o português não é apenas aquele impresso nas gramáticas escolares, mas também as incontáveis formas de expressão que são usadas para se comunicar. Esse pensamento poderia, então, aproximar a língua da vida, não a deixando alheia, em um ambiente em que apenas alguns iluminados a dominam.

Não há nada mais fascinante do que conhecer certas pessoas. Certos loucos valem a pena. Foi assim conhecer o Lobão, famoso expoente da cena musical underground, termo preferido por ele mesmo, um daqueles indivíduos que não faz questão de esconder sua própria opinião, ao contrário da vasta maioria que inclui eu e você. Porque sim, todos nós temos um temperamento forte, opinativo e teimoso lá no fundo, julgamos tudo indiscriminadamente de antemão, porém, a maioria toma o cuidado de tolher-se, ou de apenas expressar suas ideias quando como forma de violentar os outros. Talvez nenhum dos dois casos se atribuia a ele. Mas talvez, também, essa seja só mais uma questão de ponto-de-vista.

Lobão esteve dando um, é, bem, um discurso eufórico para alguns alunos da ESPM-Sul em Porto Alegre, e, obviamente, levantou discussões nas salas de aula. Fora o seu jeito "gentil" de ser, não vejo em Lobão a intenção de instigar o ódio. Existem pessoas que nasceram para agradar aos outros como cachorrinhos, que são as desprezadas pelo músico que é, por sua vez, uma daquelas pessoas que não se importa mais com a reação alheia: não pretende agradar nem desagradar. Não há como saber se por ter inflado o ego a um ponto em que se julga acima do bem e do mal, ou por simplesmente ter se blindado ao mesmo.

O fato é que Lobão fez críticas a diversos músicos, inclusive alguns de sua época e até mesmo de seu movimento -- incluindo a si próprio naquilo que inevitavelmente catalogava como "merda" --, Tropicália, incluindo na sua análise genérica da música ao longo dos anos que viveram algumas bandas de meu agrado, como os Titãs, de quem sou fã de carteirinha desde criança por conta de meu pai. Como fã do rock n' roll, ao ser perguntado, se mostrou completamente avesso aos movimentos musicais puramente estéticos e plásticos, que, ao contrário desse primeiro, primam pela técnica musical e não pela proximidade com que consideram a terrível realidade:

"Eu vou ir logo cortando a tua ópera porque eu sei o que você vai falar", respondeu ao jornalista que pediu sua opinião sobre o movimento do rock progressivo neoclássico. "Nunca ouvi, mas isso é uma merda, tenho certeza."

Enquanto perdeu alguns pontos com a audiência presente ao criticar -- de leve, se comparando com suas demais críticas -- o respeitado e admirado movimento da Bossa Nova, ganhou muitos outros ao criticar o espaço que "artistas" conseguem na mídia para terem seus trabalhos de qualidade muito inferior à de algumas bandas underground que citou divulgados pelo simples fato de se deixarem ser marionetes, simpáticos com tudo e todos, agradarem criançinhas e se fazerem de bonzinhos, bobalhões e engraçados, opinião que é compartilhada pela maioria da classe que frequenta a Escola.

"O que são essas bandinhas 'teletubbies'?", falou, referindo-se às novas bandas pop brasileiras com suas roupas coloridas e jeito infantil de ser. Para ele, esse fenômeno nada mais é do que a réplica de outro evento como o que ocorrera com a Bossa Nova: uma importação completamente distorcida de algo que só funcionava para o lugar onde surgira. No caso do movimento de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, a introspecção e estranheza de som importados da música dos guetos americanos da época, ganhou um ar de "bunda-molice" (segundo seus próprios termos) com letras que, na sua opinião, eram completamente fora do contexto do movimento em que se inspirava.

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça'...", cantou, interpretando comicamente um trecho de Garota de Ipanema. "Pode ser bonitinho até, mas é de baixo calão, vai dizer!"

Lobão conclui que a causa desse "caos" que a arte brasileira enfrenta hoje provém de uma cultura social, antiga já, de mudos acomodados. Para ele, no Brasil, ninguém fala o que realmente pensa, todos querem agradar a todos com o intuito de se alçarem a uma posição melhor -- quando não precisarão mais tratar ninguém bem. Com isso, à medida que os anos foram passando sem mudanças, a situação só piorou, e sempre se falará com mais saudosismo e mais admiração da geração mais antiga da classe, como se só de agora é que as coisas tivessem tomado essa configuração. Para ele, os problemas irão surgir, e conforme as tecnologias avançarem e mais brasileiros oportunistas se reproduzirem, caberá àqueles com mais coragem, ou às vezes, no seu caso, cara-de-pau, de opinar e pensar para fazer diferente. Como quando, para fugir dos preços altos que as gravadoras colocavam nos CDs, já que não eram ainda considerados material cultural e sofriam uma carga tributária pesada, afastando os compradores, ele e mais alguns artistas começaram a vender os CDs por um preço aceitável em conjunto com revistas, que eram beneficiadas nas tributações.

"No início, todo mundo começou a entrar no esquema", contou. "Depois que as gravadoras começaram a botar o olho, todo mundo caiu fora com medo."

Ao final do tempo, muitos alunos se sentiram aliviados por não precisar mais ouvir Lobão, e principalmente, para poder comentá-lo (e, na maioria das vezes, criticá-lo). Discursos opinativos sobre música e até sobre a liberdade, a etiqueta, o uso de palavras de baixo calão e a própria forma de se expressar eclodiram no intervalo, durante as aulas dos mais diversos cursos e disciplinas, e certamente fora do ambiente escolar, por uma semana toda. Não se ouviu falar de alguém que concordasse com o músico plenamente, em todos os aspectos, mas o resultado disso tudo é que Lobão conseguiu exatamente o que queria: mais brasileiros expressando sua opinião com força, vontade e sem medo de julgamento. É como dizem. Certos loucos valem a pena.

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