Nos dias 18 e 19 de outubro, os estudantes da Hub, agência experimental de jornalismo da ESPM, receberam uma capacitação promovida pela Desenvolver Inclusão e Capacidade, que prepara pessoas com deficiência para o mercado de trabalho. O objetivo principal foi habilitar os alunos para a cobertura da 64ª Feira do Livro, durante a qual foram produzidos materiais mais acessíveis para pessoas com deficiência visual.

A formação teve participação de estudantes de outros cursos da ESPM e abordou aspectos mais amplos sobre como lidar com pessoas com deficiência. No caso dos alunos de jornalismo, as competências aprendidas são especialmente valiosas para o trabalho que foi feito na 64a Feira do Livro de Porto Alegre e futuras reportagens. Pelo segundo ano, a equipe da Hub produziu conteúdo para as redes sociais da feira.

Segundo a definição do artigo 1 da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade com as demais pessoas.’’ No Brasil, 45 milhões de pessoas possuem alguma deficiência, o que corresponde a 24,9% da população.

A discriminação ou preconceito social sofrido pelas pessoas com deficiência é chamado de capacitismo, que, como sugere o termo, menospreza as pessoas com deficiência, tratando-as como incapazes ou inferiores. Não é raro encontrar esse tipo de tom em reportagens que frequentemente utilizam o termo ‘“exemplo de superação’’ referindo-se à pessoa com deficiência, que apesar de todas as suas limitações, barreiras e obstáculos, é capaz de levar uma vida produtiva e se destacar em alguma área.

Esse discurso contribui para criar um estigma que sugere que toda pessoa com deficiência deveria se conformar com a visão capacitista de que o mundo não foi feito para ela e que precisará fazer esforços dobrados para conseguir o mesmo resultado que alguém sem deficiência. Subestimar a capacidade dos indivíduos com deficiência, muitas vezes infantilizando seu comportamento e projetando nestas pessoas imaginários irreais, também é um pensamento capacitista.

Com isso surge a necessidade de falar em acessibilidade, que se refere à possibilidade e à condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias. Bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso coletivo, público ou privado, tanto na zona urbana como rural, por pessoa com deficiência. 

Ao desumanizar pessoas com deficiência, cria-se o problema da exclusão social, responsável por diversos problemas de acessibilidade que poderiam ser resolvidos, primeiramente de forma informativa, por meio do que se chama acessibilidade humana e atitudinal, possibilitada pela equipe da Desenvolver aos estudantes da Hub.


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