A última sexta-feira do mês de abril foi marcada pela Greve Geral em todo país. Ao longo do dia, manifestações organizadas pelas centrais sindicais, reuniram a população em protestos contra a reforma trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo Temer.

 Com 296 votos favoráveis a 177 contra, a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, dia 26, o projeto de lei que fundamenta a reforma trabalhista. As mudanças alteram aspectos como férias, remuneração, jornada de trabalho e contribuição facultativa para sindicatos. Além de permitir o trabalho remoto (home office) e aumentar a negociação direta entre empresa e trabalhador.

A reforma da Previdência é a próxima a ser votada no Congresso, e também altera diversos pontos da lei atual. Algumas dessas mudanças abrangem áreas em relação ao tempo de contribuição, idade mínima para aposentadoria, pensões e aposentadoria rural. Ambas as reformas geraram polêmica e debates em todo país. Movimentos sindicais promoveram protestos em diversas cidades dos 26 estados brasileiros, como é o caso de Porto Alegre, onde os protestos ocorrem durante todo o dia em diferentes pontos da cidade.

“O movimento em si mesmo eu acredito que ele não chega a resolver o problema, mas ele é uma forma de pressão, uma forma de pressão política. E essa forma de pressão política pode levar, frequentemente, a uma revisão de determinados conceitos”, comentou o professor de história, Ricardo Arthur Fitz, que estava no protesto no Largo Zumbi dos Palmares.

A repercussão na internet, também marcou os protestos dessa sexta-feira. Ao longo do dia, a hashtag “BrasilEmGreve” chegou nos Trendings Topics mundial do Twitter. A professora universitária Luciana Pazini Papi, que participava do protesto no bairro Cidade Baixa, destacou a participação dos jovens na política brasileira. “A gente tinha uma crítica com a geração que estava vindo aí, sobre a falta de interesse pela política. E no ano passado a questão das ocupações nas escolas mostrou que os adolescentes estão começando a se interessar pelo assunto. Mas eu ainda acho que precisa um pouco mais de formação, de história mesmo, para o jovem saber, afinal de contas, para que projeto está servindo”.

 Reforma gera desconfiança

Convocada pelas principais entidades sindicais brasileiras e contando com o apoio de setores do funcionalismo público e privado, a Greve Geral de sexta-feira, 28 de abril, foi marcada por protestos contra a ampliação da terceirização e as reformas previdenciárias e trabalhistas. De acordo com o economista e professor da ESPM-Sul, Marcos Vinicio Wink Junior, a reforma previdenciária terá aplicação integral entre 2036 e 2038.

Wink destaca que, sem alguma reforma, o rombo da previdência, que chega a 200 bilhões de reais por ano, seria insustentável para o Brasil. Ele diz que, a longo prazo, os trabalhadores deixariam de receber sua aposentadoria: “para assegurar os pagamentos dos benefícios em um contexto de envelhecimento da população, faz parte uma política reformista do governo”. A reforma da previdência acompanharia as mudanças propostas no governo FHC e no governo Lula.

 A necessidade de uma reforma, entretanto, não exime o brasileiro de seus custos. Segundo Wink, qualquer reforma acarreta na perda de direitos e cabe aos trabalhadores a decisão de pagar este preço. De acordo o professor, a corrupção no governo brasileiro faz com que a reforma perca legitimidade para a população: “a sociedade parece menos disposta a aceitar a reforma enquanto deputados e senadores estão envolvidos em escândalos como a Lava-Jato”. Wink ainda disse que o processo teria mais credibilidade se fosse efetuado por um governo que se elegeu democraticamente já com uma proposta reformista o que, juntamente com uma gestão honesta, tornaria o processo mais confiável e seguro.

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