No sábado (22/9), aconteceu, pela primeira vez em Porto Alegre, o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente. A edição pocket foi promovida por oito organizações de jornalismo independente: Agência Lupa, Agência Pública, BRIO Hunter, JOTA, Nexo, Nova Escola, Ponte Jornalismo e Repórter Brasil, em parceria com o Google News Initiative. O seu objetivo foi promover um debate sobre as possíveis inovações dentro da cobertura eleitoral, diferenciando-se dos padrões tradicionais. O evento foi divido em três painéis, cada um com três palestrantes.
A primeira mesa, chamada Os Santinhos: O que investigar, como investigar?, abordou as diversas formas de obter informações sobre políticos. Os palestrantes foram Francisco Leali, diretor da Sucursal de Brasília do jornal O Globo, Taís Seibt, cofundadora do Filtro Fact-Checking, e Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil.
Seibt ressaltou a importância de apurar os dados e entender o que eles realmente significam. “ Queremos dimensionar, a partir do dado, o interesse público em torno daquele assunto. Então, não é só o dado. Quando a gente escolhe algo do discurso público para ser checado, estamos pensando em abrir a discussão sobre um tema relevante.”

Demori chamou a atenção para o uso da palavra “polêmica” em notícias. “Se um candidato diz que bater em gay é legal, isso não é polêmica. Isso é violação de direitos humanos. Essas declarações que continuamos ouvindo não são polêmicas, são criminosas, racistas, sexistas e homofóbicas.”

A segunda mesa, Corpo a Corpo: como o jornalismo pode renovar a agenda eleitoral, discutiu como é possível fazer com que os candidatos falem sobre temas historicamente negligenciados do debate público como, por exemplo, a defesa de direitos humanos, o encarceramento em massa e questões de raça e gênero. Os palestrantes foram a pesquisadora Rosane Borges, doutora em comunicação pela USP, Flávia Marreiro, editora do El País Brasil, e Geórgia Santos, fundadora do Vós.
“Do ponto de vista jornalístico, nós temos muitos dados que ajudam a trazer esses temas para o debate eleitoral. Não é preciso se pautar a partir de polêmicas polarizadas”, defendeu Borges. Ela afirma que é necessário tirar os candidatos da zona de conforto, colocando em pauta temas que não estão acostumados ou preparados para debater.

Santos reforçou a declaração de Demori e reafirmou a necessidade de se posicionar diante de declarações que são criminosas. “A imparcialidade é um véu bastante confortável, onde a gente se esconde de forma conveniente sempre que possível. É preciso deixar de lado esse mito confortável”.

Na terceira mesa (foto), intitulada Temos um vencedor: e agora, jornalismo?, o jornalista Alexandre de Santi, editor do The Intercept Brasil, chamou a atenção do público, em sua maioria estudantes, para não fixarem seus olhares somente em quem vencer a eleição para presidente. Estar atento ao que os órgãos públicos brasileiros, o Congresso, empresas privadas e judiciário estão fazendo foi uma recomendação de Santi para a cobertura pós-eleições.

Quem também reforça que a cobertura política vá além da figura do presidente é Sylvio Costa, diretor do Congresso em Foco. Sediado em Brasília, o veículo é focado no que acontece na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Com um discurso forte, Costa critica a imprensa que reforça o preconceito generalizado sobre os políticos. “Um dos nossos deveres é monitorar o poder. Mas como você vai fazer isso se você só mostra as cagadas dos políticos? É um desserviço. Só contribui para fortalecer o preconceito contra a política”.

Na mesma mesa, a editora do La Silla Vacía, a colombiana Jineth Prieto, expôs como funcionou a mais recente cobertura eleitoral e pós-eleitoral do site, que vinha sofrendo com a falta de interesse do leitor. Ela trouxe para o debate a importância de se olhar para o público e identificar seus interesses.

(Colaborou Henrique Engel)
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