Milhares de mulheres e homens pintaram suas costas e seus peitos nus. Seguraram cartazes e faixas, com frases de liberdade, cantando em coro músicas feministas. A Marcha das Vadias moveu milhares de manifestantes que percorreram as ruas de Porto Alegre protestando contra as diferenças de gênero e os diferentes tipos de violência à mulher. O encontro ocorreu na tarde ensolarada do dia 27 de abril. 

 

A quarta edição da marcha esperava reunir cerca de cinco mil pessoas, de acordo com a organização do protesto. A concentração foi na frente do Monumento ao Expedicionário, na Rua José Bonifácio, onde os manifestantes se preparavam para a saída programada para as 16h. Juntos cantaram palavras de ordem. "Se cuida, machista. América Latina vai ser toda feminista!".

Pessoas tomam a Avenida João Pessoa na Marcha das Vadias/Foto: Clarissa Müller

A marcha saiu do parque Redenção, seguiu pela João Pessoa, trancando o trânsito, em direção ao Palácio da Polícia, onde fica a delegacia da mulher. O objetivo era entregar uma carta com 10 reivindicações às autoridades responsáveis pelo cuidado e pela segurança da mulher na sociedade. O grupo protestava contra as 92 mulheres mortas no Rio Grande do Sul em 2013 e os 26 mil processos parados na própria Delegacia da Mulher. São cerca de 40 casos de violência que chegam ao Palácio por dia, com apenas dois policiais por turno para dar suporte. A demora de atendimento chega a ser de 3 a 8 horas. 

“A origem do machismo ninguém vê, levam isso com naturalidade. Precisamos protestar contra isso” – declarou uma das organizadoras, Lualis Alves. 

As manifestantes não pouparam críticas ao cenário atual.  “Falta suporte do governo. Não tem frota policial para atender aos chamados. As mulheres, depois de atendidas, não têm abrigos seguros para ficar”, reclamou a estudante Sabrina Moura, outra organizadora do movimento.

Outros grupos também se juntaram ao movimento, como o Coletivo Negração. Jovens negros que lutam contra o racismo, o machismo, a homofobia, entre outras causas. Quando o movimento chegou ao cruzamento da rua Venâncio Aires com a avenida João Pessoa, se dividiu. Manifestantes que não compartilhavam das mesmas ideias seguiram para a Rua General Lima e Silva, onde depredaram caçambas de lixo e picharam paredes. 

Ao chegar no Palácio da Polícia, os representantes do grupo leram a carta de reivindicações e depois a entregaram para os oficiais de plantão. Os manifestantes deitaram no chão em representação as 92 mortes. A dispersão da marcha foi na praça em frente ao colégio Júlio de Castilhos, na Avenida João Pessoa.

Manifestantes deitaram na rua em representação as 92 mortes/Foto: Clarissa Müller

O nome do movimento mundial, que surgiu em 2011 no Canadá, surgiu após uma série de estupros no campus da universidade de Toronto. O policial Michael Sanguinetti pediu que as mulheres evitassem vestir-se como “vadias” para não serem estupradas. Por isso, a marca contesta os pensamentos machistas e conservadores de que as próprias mulheres são responsáveis pelas agressões físicas e verbais sofridas.

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