Em uma feira da 38ª Expointer, um tanto afastada dos grandes pavilhões e dos cavalos de meio milhão de reais, os pequenos artesãos de Esteio buscam seu espaço na exposição. As pessoas que passam olham os diversos bordados, pinturas, bonecos e estatuetas que colorem os estandes – mas são poucas as que de fato compram algum. “É essa crise do Estado”, suspiram as feirantes, frustradas.

Ao fundo da feira, há o estande da Paróquia Nossa Senhora das Graças, de Esteio. Maria da Graça Saraiva atende o público, esperando ter um bom lucro, já que o dinheiro será usado para o Projeto Vida Cáritas, pela primeira vez na Expointer. Trata-se de uma iniciativa de ação social, voltada a famílias de baixa renda do município. Os voluntários da Paróquia os auxiliam, dando cestas básicas e, quando necessário, remédios, não sem antes visitar as casas para verificar a situação da família.

A iniciativa ainda promove oficinas de artesanato, em que as “atendidas”, como são chamadas, aprendem a fazer pintura, tricô, mantas, entre outros trabalhos. Elas contam ainda com um momento de reflexão, além de um lanche da tarde. São mais de 30 famílias ajudadas e em torno de 15 pessoas que participam dessas atividades, estima a professora de crochê do projeto, Maria Teresinha Ávila dos Santos.

“Houve uma moça alcoólatra que participou do projeto. No começo, ela chorava, porque nem conseguia fazer o crochê”, relembrou Maria da Graça. Porém, a participante, cujo nome Maria preferiu não revelar por privacidade, com o tempo e com muita ajuda conseguiu se recuperar. Ela hoje já tem um lugar melhor para morar e agora é sua vez de fazer as doações, participando como voluntária. “E agora ela já aprendeu e faz bem bonito, olha”, contou a feirante, orgulhosa, mostrando uma toalha rosa com detalhes de crochê.

Além da ação da Paróquia Nossa Senhora das Graças, a feira contou com o Projeto Artesanato de Esteio, uma parceria entre a prefeitura do município e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o SEBRAE. A iniciativa faz parte de um projeto maior chamado “Venha crescer com Esteio”, criado em 2009 com o objetivo de capacitar pequenos negócios do município.

Os artesãos de Esteio, através de palestras, cursos, assessorias e oficinas, tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre administração. Desde abril, foram feitos encontros que abordaram assuntos como melhoria da produtividade, desenvolvimento, qualidade, relacionamento com os clientes, formação do preço dos produtos, identificação visual, negociação, tecnologia e comercialização. Assim, com a ajuda de um designer, eles criaram uma marca própria, a Coleção Artesanal de Tradições Gaúchas de Esteio, de produtos com elementos marcantes da região, que teve sua estreia na Expointer.

“O projeto é fundamental para o desenvolvimento das empresas. O empresário se torna preparado, e, com isso, a comunidade também ganha, com produtos de qualidade e bom atendimento”, comentou a coordenadora do projeto e Diretora de Desenvolvimento e Renda da Secretaria Municipal de Economia e Desenvolvimento Sustentável de Esteio, Luzia Salete Baracchini.

Para Salete, o crescimento do grupo nesse tempo do projeto já é visível, e a feira é uma das melhores oportunidades de vendas e de divulgação de seu trabalho. “A Expointer é uma vitrine que eles valorizam muito. Eles já estão conhecidos, tem uma artesã que todos os anos vende para pessoas da Venezuela, e também para o Uruguai, Argentina, Chile e várias partes do país”, disse.

Contudo, o investimento dos pequenos empresários não teve o resultado esperado. Feirante na Expointer há sete anos, Roselaine Alderette destacou 2015 como o pior ano em relação às vendas, o que atribui à crise do Estado. “O nosso público foi muito fraco. A entrada e o estacionamento já são caros, então muitas pessoas nem compram mais nada”, comentou. Roselaine ressaltou ainda que, nos outros anos, muitos estudantes compraram os produtos, porém, devido às greves, não houve tantas visitas de escolas nesta edição.    

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