A Comissão Organizadora da 38ª Expointer organizou pelo quarto ano consecutivo o Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar. Nesta edição, a novidade é o prêmio destaque para “A História da Agroindústria Familiar”, dentre 20 histórias inscritas, três foram selecionadas para a final que irá acontecer no dia 4 de setembro às 16h, no Pavilhão da Agricultura Familiar.

Segundo uma das organizadoras do prêmio, Maluza Feltrin, os três finalistas serão decididos pelo voto popular e, na sexta-feira, o vencedor será contemplado com uma medalha. “A gente acabou criando esse prêmio para oportunizar a todos, por que tem muita história bonita de agroindústrias que começaram pequenas e foram crescendo ao longo do tempo”, ressaltou Maluza, médica veterinária da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo.

A Ervateira Rainha do Sul de Novo Barrero (RS) é uma das finalistas do concurso. O dono, Pedro Brizolla, começou a trabalhar com o cultivo de erva-mate em 1987, devido às suas gerações anteriores que já trabalhavam na área. As dificuldades financeiras foram aparecendo no decorrer da trajetória. Pensaram até em parar com a produção. Em 2003, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o produtor conseguir ampliar seu negócio e adquirir o maquinário adequado, diminuindo, assim, o custo de produção.

Em 2010, o fundador da empresa perdeu seu único caminhão usado no transporte em um acidente, mas ele e seus dois cunhados, com quem trabalha, não perderam as esperanças. Com um novo financiamento, conseguiram adquirir três novos veículos. “Acredito que levaremos o 1º lugar, principalmente, por merecimento do nosso começo, era uma dificuldade imensa e hoje estamos em um mar de rosas”, afirma otimista.

Luiz Bernardi, de Flores da Cunha (RS), proprietário da agroindústria Doces Silber começou sua trajetória plantando mirtilo, o famoso blueberry, a partir de uma sugestão de um primo que havia voltado da Europa recentemente. Em 2011, juntamente com a esposa e seus dois filhos, decidiu arriscar e fundar sua própria agroindústria. Como a especialidade é uma fruta exótica, Bernardi encontrou muitas dificuldades ao longo do caminho. “Ninguém tinha ideia do que era o mirtilo, e as pessoas têm receio de conhecer algo novo”, destaca o produtor. Ele ainda conta, orgulhoso, que o incentivo da esposa foi essencial para dar início a empresa. O nome “Silber” simboliza a união do casal fazendo referência ao sobrenome de ambos Silva e Bernardi.

A terceira finalista é a Associação dos Produtores de Queijo e Derivados do Leite Dos Campos de Cima da Serra (APROCAMPOS). O sócio-fundador, Claudemir Bitencourt, conta que a associação iniciou a partir da dificuldade de comercializar o produto. Hoje conta com mais de 40 associados de São José dos Ausentes e Bom Jesus. A APROCAMPOS une os esforços de pequenos produtores e ajuda a melhorar suas condições de trabalho. “Participar desse prêmio é um reconhecimento de muita luta e trabalho”, avalia o pequeno produtor.
 
A iniciativa tem como objetivo incentivar a produção da agroindústria familiar e contribuir na divulgação, possibilitando a aproximação do produto artesanal do público urbano. Os três empreendimentos irão receber um certificado de participação, e o mais votado pelo público será premiado com uma medalha. Os critérios de escolha foram os seguintes aspectos: inovação tecnológica, ações econômicas e/ou sociais.
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